Psicóloga, pesquisadora, poeta e escritora, Maria Carol constrói sua literatura a partir de um lugar íntimo, o de quem escreve para subsistir e, ao mesmo tempo, transfixar caminhos coletivos. Mulher negra e lésbica, autora de ‘Cartas aos Afetos’, ela afirma que só se reconheceu porquê uma possibilidade quando enxergou semelhanças em outras escritoras que vieram antes dela.
Maria Carol, psicóloga, pesquisadora e escritora, usa a literatura porquê forma de frase e ativismo. Autora de “Cartas aos Afetos”, ela se inspira em escritoras porquê Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e Ryane Leão, encontrando representatividade e empoderamento em suas obras. Para Maria Carol, redigir é um ato político, um meio de expor sua vulnerabilidade e criticar a sociedade, mormente a violência contra corpos marginalizados. Sua participação na Feira Literária de Bonito (FLIB) reforça seu libido de inspirar outras escritoras negras e lésbicas a ocuparem espaços literários. A escrita de Maria Carol, profundamente pessoal, aborda temas íntimos e procura romper com a neutralidade, reivindicando o recta à existência e ao reverência. A autora transforma suas vivências em trova, utilizando a literatura porquê instrumento de resistência e asserção.
“Eu realmente só entendi que eu era uma pessoa verosímil quando eu conheci outras pessoas porquê eu”, lembra. Esse encontro, segundo ela, veio com a leitura de Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e Ryane Leão.
“Lendo e escutando essas referências, e vendo que a gente tem muitas semelhanças, eu entendi que realmente é verosímil, que a gente tem o recta de narrar a nossa história, de se expor porquê escritora”, avalia.
O exemplo de Carolina Maria de Jesus é citado por Maria Carol porquê fundamental. “Mesmo com todo um contexto zero em prol daquela escrita, ela sempre soube o poder daquilo que fazia. Sempre soube que era a forma dela subsistir, criticar, se posicionar. Ela sempre coloca que é uma mulher negra que escreve e que tem esse recta. Isso é sobre ela, é sobre a gente”, destaca.
Essa percepção foi um espelho, que hoje a move a ocupar espaços porquê a Flib (Feira Literária de Bonito), onde participou de roda de conversa e compartilhou sua trajetória. “Eu fico imensamente feliz de estar na Flib, de participar de outros eventos, de estar sendo lida. Espero que isso seja uma ponte, não é sobre mim. Eu não quero ser a única, quero que outras de nós estejam nesses lugares também”, pontua.
Para ela, se reconhecer no outro é um ponto de partida, mas transformar vivências pessoais em literatura exige enfrentamento. De congraçamento Maria Carol, foi preciso tempo e terapia até concordar que expor sua intimidade poderia ser também um gesto de potência.
“No primícias eu pensava muito na minha família, nos vizinhos, nos parentes, porquê reagiriam ao ler partes tão íntimas de mim. Isso me fez recuar, teve momento que eu parei de redigir. Mas depois entendi que está tudo muito expor tudo isso. Minha escrita é essa escrita íntima, que conta detalhes. Eu fui fazendo as pazes com a minha existência, com a minha forma de redigir”, avalia.
Hoje, ela enxerga na vulnerabilidade uma manadeira criativa. O que antes era receio, tornou-se material de força.
“Eu vejo a escrita porquê alguma coisa extremamente político, crítico, e faço questão de que a minha escrita seja uma escrita posicionada. Ela não é neutra. Ela critica a sociedade, critica a branquitude, critica porquê nossos corpos são violentados a todo momento, e não me interessa ser zero neutra”, afirma.
Fazendo trova, Maria reconhece a literatura porquê um ato de resistência e existência. “Por mais difícil que seja, por mais expostos que estejamos, não me interessa que seja dissemelhante, porque a gente está cá reivindicando o nosso recta de subsistir, nosso recta de sermos respeitados”, finaliza.
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