Responsabilizada por uma perda na puerícia, hoje, uma vez que psicóloga, ela ajuda pessoas a ressignificarem a vida.
Desistir de viver não acontece de uma hora para outra. No caso de Gisele Oliveira, de 52 anos, esse processo começou aos 7 anos. Ainda rapariga, ela precisou mourejar com a culpa despejada pela madrasta, que lhe disse, com todas as letras: “Você matou a sua mãe”.
A psicóloga Gisele Oliveira, de 52 anos, transformou sua história de dor em propósito de vida ao ajudar pessoas com pensamentos suicidas. Desde os 7 anos, quando foi culpada pela morte da mãe por sua madrasta, ela enfrentou um envolvente familiar violento e um pai alcoólico, experiências que a levaram a questionar o valor da vida. Perito em reprocessamento de traumas, Gisele destaca que o suicídio está frequentemente ligado à desesperança. Ela enfatiza a preço de múltiplos pontos de suporte na vida, incluindo relacionamentos, atividades culturais e esportivas, além do comitiva profissional. A psicóloga alerta contra respostas superficiais ao sofrimento alheio e ressalta a preço da escuta ativa.
O sentimento a perseguiu por anos e a frase nunca foi esquecida. Mas não foi unicamente isso que fez Gisele estrear a pensar em suicídio e reparar contra a própria vida. Na tentativa de entender a própria existência, ela encontrou na psicologia uma forma de reinventar a vida e ajudar outras pessoas.
“A gente precisa aprender a não apequenar a vida. Ela precisa ser expandida, não pode ser diminuída pela nossa ignorância, pelas regras ou pela culpa”, diz a psicóloga perito em reprocessamento de traumas. Para ela, a desesperança é um dos fatores que colaboram com o cenário zero positivo e propício aos pensamentos autodestrutivos.
Para entender a dimensão do problema, é necessário voltar à puerícia e à juvenilidade dela.
“Eu tive vários fatores que, juntos, me fizeram querer desistir: um lar pleno de violência, um pai alcoólico. Eu e meus sete irmãos crescemos assim. Perdi minha mãe quando era bebê, logo não tive meu referencial. O que foi crucial para mim foi quando minha madrasta disse que eu tinha responsabilidade pela morte dela. Eu fui entregar um cartão de Dia das Mães e ela disse que não era minha mãe e me empurrou do pescoço dela. Foi aí que ela disse que a culpa era minha. Naquele momento, minha puerícia acabou”.
Gisele, que atua na secção cognitiva e comportamental da psicologia, senta no próprio “divã” para relembrar o que a fez chegar até ali. Ela explica que, durante a puerícia, é procedente que crianças se culpem por tudo o que acontece ao volta, mesmo que ninguém tenha feito isso. Porém, quando há responsabilização, os impactos podem ser maiores do que se imagina.
“Uma muchacho não consegue digerir isso. A partir daí, eu acreditei. A muchacho até 9 anos tem um pensamento egocêntrico naturalmente e, nessa filete etária, ela vai se culpar. Vivi muitas coisas que me fizeram ter desesperança da vida. Buscava meu pai nos bares. Sentia que a vida era aquilo, só sofrimento”.
Hoje, ela coloca o pretérito no devido lugar, mas para isso foi preciso reaprender a viver, recriar a vida, uma vez que ela diz. Hoje Gisele usa o que viveu para aumentar o tato sobre o tema com os pacientes.
“De certa forma, quem já passou consegue entender mais o que a pessoa sente; logo é mais fácil entrar no sofrimento dela. Eu parto do pressuposto de que o suicídio tem a ver com desesperança; pode possuir outros fatores agregados, uma vez que depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia e afronta de substâncias. Independentemente de subsistir, a desesperança é sempre o fator final.”
No caso dela não havia os transtornos. “Tive depressão, mas na temporada adulta; tive uma desesperança de uma maneira muito potente e aterrorizante. Recomecei com quase 40 anos do zero, sem tarefa, verba ou cliente”.
Gisele conta que nunca imaginou que seria psicóloga, mas que a vontade em ajudar sempre esteve presente na vida dela. Segundo ela, foi preciso transformar a dor em força para seguir.
“Sou de uma geração que quase não se falava de psicologia; fui saber que existia já na temporada adulta. O que havia já dentro de mim desde muchacho era a curiosidade do porquê, queria entender o sentido da vida. Já fazia perguntas filosóficas e não sabia o nome. Lia e não sabia o que era. Eu era investigativa da vida”.
Quando ela encontrava pessoas idosas perguntava se tinha valido a pena viver. “Eu queria saber porque naquela idade tinha certeza que não valia. Eu não queria a resposta pra mim, queria também ajudar as pessoas”.
Depois do baque na puerícia, outro momento crítico veio na juvenilidade, mas os pensamentos diminuíram em seguida a temporada adulta. Depois veio um casório e os filhos. O romance não deu visível por muito tempo e ela agradece, mas não entra em detalhes.
Enxergando o horizonte
Depois encontrar o propósito que buscava, Gisele mergulhou de vez no problema que enfrentava em sua mente. Começou a entender e a tratar a questão, mas também a se apegar a vários pontos de suporte. Esse ponto, inclusive, exige atenção. A psicóloga destaca a preço de não concentrar a esperança em unicamente um conduto, seja ele amoroso, de amizade, familiar, religioso ou social.
“Precisa ter várias fontes de onde você se abastecer, não só em uma coisa só. Quando a pessoa tem um pensamento suicida não existe uma receita pronta de melhora. Não é uma vez que receita de bolo, com passos exatos a serem seguidos para melhorar. É um processo de entender o valor da vida, o próprio valor. Isso é com tempo; vai chegar um dia em que essa pessoa não vai estar mais vulnerável pra algumas coisas, a ponto de ela mesma se policiar e se cuidar”.
É importante que a pessoa se descubra, escolha e teste o que ela gosta de fazer, onde ela gosta de ir, que tenha amigos, leia, assista filmes, pratique esportes. O leque precisa se transfixar, explica a profissional. “As pessoas apequenam demais a vida e, nesse momento, é preciso expandir”. Isso, além de um tratamento especializado e incisivo: cultura, lazer, esporte.
Pode até parecer conseguível, mas muitas pessoas não têm o mínimo para transpor do lugar. Diante do cenário de um trabalho exaustivo que muitas vezes não dá brecha para subsistir, é preciso paciência, compreensão consigo mesmo e calma.

“Se a pessoa trabalha só para consumir, dormir e, de novo, a mesma coisa no dia seguinte, quando ela vive um baque, é muito fácil pensar em suicídio. Por quê? Muitos não fazem zero por si próprios, vivem para os outros, às vezes odeiam o trabalho que têm, se sentem sufocados, estão em uma vida que não é deles, às vezes imposta pelos pais.”
Segundo ela, a autodescoberta é a pessoa aprender a ser inteira. “Aí não importam zero os padrões, o que dizem que eu sou. Isso dá força para viver. Se parar para pensar, muitas não desistiram da vida, mas da vida imposta para elas.”
A psicóloga pontua que, com o passar do tempo e alinhada a tudo o que foi descrito uma vez que forma de se redescobrir na terapia, a pessoa começa a se entender. Cá, é preciso agir preventivamente, tanto os que nunca pensaram sobre o tema quanto os que já passaram por isso.
“A pessoa não pode descobrir que foi só uma temporada que passou. O gatilho está lá. A pessoa descobre maneiras de se autorregular e de gerenciar as crises. Chega um ponto em que a pessoa não tem mais crises, não porque está curada, mas porque aprendeu a mourejar com elas. São inúmeras camadas.”
Segundo ela, uma das coisas que mais atrapalham são as respostas superficiais, os jargões, os conselhos prontos: “isso a vida é tão bela”, “você tem um horizonte pela frente”.
“Isso é terrível; é pior ainda quando ela consegue visualizar que teria uma vida inteira de sofrimento. Essas frases feitas são o que eu não quero mais ouvir e não expor a alguém; por isso, fui estudar. Falei algumas vezes e recebi versículos bíblicos; as pessoas não têm manejo.”
Portanto, diante de uma situação em que você perceba que a pessoa está em sofrimento profundo, o primeiro passo é se importar.
“Ouvir também é difícil; as pessoas querem ajudar sempre falando, dando conselhos, sendo protagonistas. Para ajudar, é preciso permanecer em silêncio, estar de veste disposto a ouvir, se propor a ajudar a encontrar ajuda profissional e pedir que ela procure. No final, no sumo, diga: ‘Sinto muito por isso. Se houver um tanto em que eu possa ajudar, me avise; sugiro que procure um psicólogo’. Isso pode ajudar mais do que muita coisa.”
Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Paixão Vida) presta suporte emocional gratuito a pessoas em crise por meio de atendimento telefônico pelo número 0800 750 5554.
Vítimas de depressão e demais transtornos psicológicos podem buscar ajuda no Núcleo de Saúde Mental, no CAPS (Meio de Atenção Psicossocial) ou pelos telefones 141 e 188 do CVV (Meio de Valorização da Vida), 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros, que ajudam pacientes a romper o silêncio.
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