O Brasil possui aproximadamente 496 milhões de hectares de florestas, desse totalidade, 486 milhões de hectares são de florestas naturais, enquanto tapume de 10 milhões de hectares correspondem a florestas plantadas. Unicamente 2% da cobertura florestal pátrio provém de florestas plantadas, enquanto a maior segmento é de vegetação nativa — um patrimônio que precisa ser conservado e preservado.
Árvores são essenciais para a sustentabilidade na agropecuária, trazendo benefícios além da produção de madeira e frutos. Práticas porquê Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e Sistemas Agroflorestais (SAFs), estudadas pela Embrapa Cerrados, recuperam áreas degradadas, aumentam a biodiversidade, melhoram solo e chuva, armazenam carbono e fortalecem a resiliência climática.A Embrapa Cerrados pesquisa sistemas que combinam árvores, lavouras e pastagens. Sistemas integrados com árvores incluem: Integração Pecuária-Floresta (IPF), Integração Lavoura-Floresta (ILF) e ILPF. A escolha da espécie arbórea depende do objetivo, das condições locais e do conhecimento técnico, considerando adaptação, uso dos produtos, desenvolvimento e serviços ambientais. A integração de árvores em sistemas produtivos gera renda, reduz riscos e fortalece a segurança cevar, representando um caminho para sistemas produtivos e ambientalmente responsáveis.
As árvores, quando implantadas corretamente, têm papel meão na sustentabilidade dos sistemas agropecuários, oferecendo benefícios que vão além da produção de madeira ou frutos. No Brasil, práticas porquê a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e os Sistemas Agroflorestais (SAFs) vêm sendo estudadas e adaptadas pela Embrapa Cerrados. Essas práticas contribuem para restabelecer áreas degradadas, aumentar a biodiversidade, melhorar a qualidade do solo e da chuva, além de armazenar carbono e fortalecer a resiliência climática.
Na região do Encerrado, a Embrapa Cerrados tem liderado ao longo dos seus 50 anos de atuação, completados neste ano, pesquisas e validações de sistemas integrados que associam árvores, lavouras e pastagens em diferentes arranjos. Os sistemas integrados com árvores podem ser definidos porquê: integração pecuária-floresta (IPF), ou sistema silvipastoril, que associa pastagem, animais e árvores em consórcio; integração lavoura-floresta (ILF), ou sistema silviagrícola, que combina plantações agrícolas com espécies arbóreas e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), ou sistema agrossilvipastoril, que integra os três componentes agrícola, pecuário e florestal — na mesma espaço, por meio de rotação, consórcio ou sucessão.
Um exemplo é a implantação de eucalipto consorciado com braquiária e soja em áreas de pastagens degradadas. Nesses sistemas, a introdução das árvores proporciona sombreamento e aumento da material orgânica no solo, reduzindo a erosão e elevando a fertilidade. Estudos de longo prazo conduzidos pela unidade mostram que áreas degradadas recuperaram sua capacidade agrícola em poucos anos, oferecendo novas fontes de renda com a madeira e aumentando a produtividade.
Outro caso é o desenvolvimento de arranjos de SAFs e sistema de ILPF com espécies nativas do Encerrado, porquê baruzeiro e pequizeiro, consorciados com culturas agrícolas e pastagem. O pequizeiro é considerado a árvore símbolo do Encerrado, conforme lei estadual em Goiás, devido à sua influência para a cultura, economia e o sustento das comunidades locais.
A integração de espécies nativas e frutíferas se mostra estratégica, sobretudo em regiões específicas, aliando a conservação da biodiversidade ao uso econômico sustentável, valorizando produtos da sociobiodiversidade ao mesmo tempo em que recupera a cobertura vegetal, mantém a renda do produtor.
A escolha da espécie arbórea em um sistema integrado depende do objetivo do sistema, das condições do sítio e do conhecimento técnico. Critérios de seleção incluem a adaptação da vegetal às características do solo e clima, disponibilidade de mudas, uso dos produtos florestais, arquitetura da despensa, velocidade de desenvolvimento, serviços ambientais prestados e facilidade de estabelecimento. É fundamental que a inserção das árvores nos sistemas agropecuários obedeça às práticas de conservação do solo e da chuva, ao plantio em nível, ao favorecimento do trânsito de máquinas e à observância de aspectos comportamentais dos animais.
Espécies com características indesejáveis, porquê desenvolvimento muito lento ou toxicidade para animais, devem ser evitadas. Se não for verosímil atender a todos os critérios, a prioridade deve ser dada ao objetivo do sistema, à adaptação sítio e ao conhecimento técnico. Por termo, é fundamental estimar o mercado para os produtos oriundos do componente arbóreo a ser implantado — porquê madeira, sementes, frutos, fibras, entre outros — sendo indispensável a existência de demanda sítio ou regional que viabilize a comercialização desses produtos.
Em diversas situações, no entanto, o componente arbóreo poderá ser estabelecido com outros objetivos, porquê o uso da madeira para consumo próprio na propriedade, sombreamento, melhoria da ambiência, bem-estar bicho ou ainda para fins de adequação ambiental.
De congraçamento com o Novo Código Florestal, é permitido o cômputo de plantios de espécies frutíferas, ornamentais ou industriais — inclusive exóticas — na constituição da espaço de suplente lítico, desde que cultivadas em consórcio ou de forma intercalar com espécies nativas da região, dentro de sistemas agroflorestais. Ressalta-se, porém, que a espaço recomposta com espécies exóticas não pode ultrapassar 50% da espaço totalidade a ser recuperada.
Na pecuária, a adoção do sistema de ILPF com linhas de árvores intercaladas com pastagens de braquiária traz benefícios tanto para o manada quanto para o solo. A sombra das árvores reduz o estresse térmico dos animais, melhorando o lucro de peso e o bem-estar, enquanto a ciclagem de nutrientes melhora a qualidade da forragem. Esse padrão tem sido testado em fazendas no Encerrado, onde os resultados apontam incremento na produção de músculos e maior resiliência durante períodos de seca.
Sobre os serviços ambientais gerados, as pesquisas da Embrapa Cerrados confirmam que esses sistemas desempenham papel fundamental no armazenamento de carbono. Experimentos em áreas de ILPF mostraram incremento significativo no estoque de carbono no solo e na biomassa arbórea, contribuindo para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. Outrossim, a presença das árvores melhora a infiltração de chuva e reduz o escoamento superficial, protegendo nascentes e cursos d’chuva locais.
As experiências da Embrapa Cerrados mostram que a incorporação de árvores nos sistemas produtivos vai além da conservação ambiental: trata-se de uma estratégia que gera renda, reduz riscos produtivos e fortalece a segurança cevar. Combinando ciência, tecnologia e práticas adaptadas à verdade dos produtores, a integração de árvores nas paisagens agrícolas representa um caminho para a transformação de áreas degradadas em sistemas produtivos e ambientalmente responsáveis.
(*) Karina Pulrolnik é pesquisadora da Embrapa Cerrados.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem porquê propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.




























