Tradicional desfile cívico-militar com mais de 60 instituições comemora o natalício
“É a nossa Veneza.” Do outro lado do rio Paraguai, em seu Recanto da Chalana, o empresário paulista Luiz Martins contempla, à noite, o iluminado porto e seu casario, refletindo-se naquelas águas. Sua reação não é excesso: não tem porquê não se encantar com uma das cidades mais belas do interno brasiliano. Entre culminância, desleixo, decadência e perspectivas de retomada do desenvolvimento, Corumbá completa hoje 247 anos.
Corumbá, importante cidade pantaneira, completa 247 anos buscando retomar seu desenvolvimento. Com uma história marcada por ciclos econômicos e reveses, a cidade enfrenta desafios porquê isolamento geográfico, perda populacional e dificuldades financeiras. O prefeito Gabriel Alves de Oliveira procura soluções para gargalos históricos, investindo em infraestrutura, saúde e habitação, além de proferir recursos para impulsionar a economia lugar. Apesar dos desafios, Corumbá se destaca pela venustidade oriundo do Pantanal, riqueza cultural e arquitetura neoclássica italiana. A cidade aposta na hidrovia Paraguai-Paraná porquê selecção logística para escoamento da produção, visando novos tempos de prosperidade. Com grande extensão territorial, Corumbá possui o segundo maior rebanho bovino do país, importantes reservas de minério de ferro e a maior porção do Pantanal, representando um grande potencial econômico a ser explorado.
Inicialmente denominada Novidade Albuquerque – para resolver a confusão formada com a instauração de Albuquerque, hoje região, dois anos antes -, a Capital do Pantanal já passou por vários ciclos (ou retomadas) econômicos e muitos ainda julgam que os reveses tem a ver com as sandálias do polêmico Frei Mariano, a quem credita-se uma praga rogada contra a cidade. O “Corumbá já teve” tem aumentado a lista de perdas irrecuperáveis.
Isolada dos grandes centros, com problemas logísticos devido à pressão ambiental ou à falta de comprometimento dos governantes, a cidade vem sofrendo perdas sucessivas de população. Há uma dez, perdeu a terceira posição no ranking do Estado para Três Lagoas e está a 153 habitantes de ser superada por Ponta Porã, segundo o IBGE. A arrecadação voltou a desabar e a região não consegue seleccionar um deputado estadual por falta de união.
Gargalos históricos – O atual prefeito, médico Gabriel Alves de Oliveira – fruto de pais políticos – está enfrentando grandes desafios em sua primeira gestão. Herdou uma dívida de R$ 35 milhões, projetos parados ou cancelados, que resultam em perda de recursos federais, e a queda do bolo dos royalties do gás boliviano e da mineração, que dava um estabilidade financeiro. A estratégia de Gabriel é buscar emendas parlamentares na bancada federalista e na parlamento.
As articulações do prefeito têm guardado os investimentos, que podem somar R$ 120 milhões neste ano em saúde, infraestrutura e habitação, com perspectiva de renegociar uma dívida com o Fonplata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata), no valor de R$ 220 milhões, que raspa anualmente R$ 32 milhões dos cofres e foi herdada. “Estamos buscando resolver gargalos históricos e atrair investimentos para que a cidade se desenvolva”, diz Gabriel.
Contrastando com essa verdade econômica e de desenvolvimento, a cidade se agiganta com sua porção do Pantanal, a riqueza de sua cultura sem confrontação no Estado, a alegria do povo e um conjunto arquitetônico que difere das demais antigas cidades do País ao predominar a arquitetura neoclássica italiana – semelhante ao meio de Assunção (Paraguai), aos subúrbios de Buenos Aires (Argentina) e ao interno do Uruguai.

Novos tempos – Depois da Guerra do Paraguai (1864-1870), Corumbá, logo abandonada pela província, prosperou e foi o terceiro maior porto fluvial da América Latina até a chegada dos trilhos da Noroeste do Brasil, os quais mudaram a dinâmica mercantil da Bacia do Prata para São Paulo. Era a motriz econômica de Mato Grosso e um levante chegou a propor a mudança da capital, que era Cuiabá. Sua população superava a de Campo Grande até a chegada do trem.
A repartição territorial de Mato Grosso, em 1979, foi um golpe, rompendo os laços afetivos, econômicos e culturais com Cuiabá, razão pela qual o corumbaense não comemora a geração de Mato Grosso do Sul. De lá para cá, a cidade foi perdendo posições, moradores e grandes projetos industriais e estruturantes. O gasoduto Bolívia-Brasil seria a salvamento, mas não se concretizou. O trem descarrilou e a Rota Bioceânica, via Bolívia, mudou de rota.
Os investimentos pesados na hidrovia são sinais de novos tempos de prosperidade, uma vocação oriundo: trespassar pelos portos platinos enquanto a BR-262 é destruída por milhares de caminhões carregados de minério de ferro. O prefeito Gabriel Oliveira diz apostar na pujança de um rio para reposicionar Corumbá economicamente. Também articula politicamente para viabilizar novos projetos e a atração do setor privado, assegurando empregos e arrecadação.

Boi e minério – A cidade foi fundada em 21 de setembro de 1778, em plena disputa territorial entre portugueses e espanhóis, e as primeiras construções foram fortificações nas encostas que margeiam o Rio Paraguai, as quais desapareceram com o povoamento. Corumbá é o 11º município em extensão (64 milénio km²), tem o segundo maior rebanho bovino do país (2 milhões de cabeças), uma das maiores reservas de minério de ferro e a maior porção do Pantanal.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.





























