Na região vivem, pelo menos, 100 pessoas que temem prejuízos uma vez que ocorreu no Nasa Park em 2024
Novo laudo técnico emitido pelo CEIPPAM (Meio de Ensino, Pesquisa e Projetos em Lavra e Meio Envolvente), em parceria com o CESAMUEMS (Meio de Estudos e Pesquisas em Meio Envolvente da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), voltou a mostrar fragilidades na barragem do vetusto Clube de Campo Atlântico, em Campo Grande.
Laudos técnicos emitidos desde 2024 apontam graves problemas estruturais na barragem do Clube de Campo Atlântico, em Campo Grande. O mais recente, elaborado em agosto de 2025 pelo CEIPPAM e CESAMUEMS, destaca erosões, falhas na drenagem e falta de manutenção preventiva. A estrutura, que opera sem licenciamento ambiental, apresenta elevado risco de rompimento segundo a Dependência Vernáculo de Águas. Moradores próximos, preocupados com a segurança de murado de 100 pessoas, realizaram protestos exigindo providências. O Ministério Público acompanha o caso e procura medidas corretivas imediatas.
A barragem está situada no Ribeiro Botas, dentro da extensão pessoal sob responsabilidade da Incorporadora Atlântico Ltda. A estrada vicinal que dá chegada às chácaras do Parque Atlântico passa sobre a secção mais subida da estrutura, enquanto na secção baixa ficam propriedades rurais e áreas de moradia, o que aumenta o risco social em caso de rompimento.
O documento foi elaborado a pedido do Imasul (Instituto de Meio Envolvente de Mato Grosso do Sul), depois revelação de moradores e cobranças feitas pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).
Em fevereiro deste ano, grupo realizou um protesto para invocar atenção das autoridades sobre o risco de rompimento da barragem. A comunidade fechou a rodovia e cobrou avaliação, preocupada com impacto a respeito de 100 pessoas que vivem no lugar.
No laudo de 2025, os técnicos destacaram pontos de atenção que comprometem a segurança da estrutura, principalmente em caso de chuvas intensas. Entre os problemas relatados estão erosões nas margens, privação de manutenção preventiva adequada e falhas na drenagem. O laudo ressalta que a falta de obras de reforço aumenta o risco de rompimento parcial ou totalidade da barragem, o que poderia atingir áreas vizinhas com alagamentos e suscitar danos ambientais.

Esse novo parecer reforça as conclusões já apresentadas em setembro de 2024, quando um laudo técnico do Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) havia constatado problemas semelhantes. Na idade, o relatório também apontava infiltrações, desgaste de taludes e premência urgente de obras corretivas. Embora algumas medidas paliativas tenham sido adotadas desde logo, os técnicos afirmam que a barragem ainda demanda intervenções estruturais permanentes.
Segundo o CEIPPAM e o CESAMUEMS, a avaliação de 2025 foi feita com base em inspeções visuais e estudo de dados anteriores. Os especialistas reiteraram que, sem reparos definitivos, os riscos permanecem. Já o Imasul, responsável pela fiscalização, deve usar o laudo uma vez que subvenção para definir as próximas medidas administrativas e legais.
Em julho, Relatório de Segurança de Barragens 2024-2025, divulgado pela ANA (Dependência Vernáculo de Águas e Saneamento Obrigatório), identificou risco na barragem, junto de outras sete em Mato Grosso do Sul com classificação de risco elevado e dano potencial associado também elevado. Segundo o levantamento, todas reúnem tanto a subida verosimilhança de acidentes quanto a capacidade de suscitar grandes danos em caso de rompimento.
A situação da barragem do Atlântico é acompanhada pelo MPMS, que garante estar em procura de confirmar que os responsáveis adotem ações imediatas de correção.
O risco atual lembra incidente recente: em agosto de 2024, a represa do loteamento de luxo Nasa Park, em Jaraguari, se rompeu e interditou a BR-163. Na ocasião, o Corpo de Bombeiros constatou que o lugar não possuía certificado de vistoria, e o Imasul determinou a elaboração de um Prada (Projecto de Recuperação de Superfície Degradada).

Resumidamente, veja o que os técnicos encontraram na Barragem do Lago Atlântico:
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Chuva acumulada na secção de cima da barragem
A chuva está empoçando na crista do barramento porque o sistema de drenagem não funciona recta. Isso pode suscitar erosões e enfraquecer a estrutura com o tempo. -
Propagação de mato nas encostas da barragem
A presença de vegetação atrapalha as inspeções e pode comprometer a segurança, já que as raízes abrem fissuras no solo. -
Vertedouro entupido por vegetais
O meio que deveria escoar o excesso de chuva está obstruído por vegetação, o que aumenta o risco de transbordamento em dias de chuva poderoso. -
Estradas de chegada alagam quando chove
Caminhões e carros pesados têm dificuldade para circundar porque a via de chegada fica alagada, o que pode atrapalhar manutenções emergenciais. -
Falta de licença e autorização solene
A barragem funciona sem outorga de uso da chuva e sem licenciamento ambiental, o que é proibido pela legislação. -
Multas e notificações já aplicadas
O Imasul (Instituto de Meio Envolvente de Mato Grosso do Sul) já fez vistorias, aplicou notificações e lavrou autos de infração cobrando a regularização.
A reportagem tentou contato com o proprietário da Incorporadora e do Clube Atlântico, Jorge Marcio Ignácio Nigres, que informou estar em viagem e, por isso, não pôde se manifestar. Atualmente, o clube permanece fechado.




























