Responsável por 4 milénio peças, bombeiro mostra bastidores da manutenção aérea no Estado
Com 4 milénio peças para limpar, fazer manutenção e prometer que tudo esteja pronto para o próximo voo, o subtenente Flávio Aparecido João atua no GOA (Grupamento de Operações Aéreas) do Corpo de Bombeiros. Na manhã desta quarta-feira (17), ele contou ao Campo Grande News que, quando entrou na corporação, era enfermeiro, mas logo assumiu a missão de montar uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) aérea.
O subtenente Flávio Aparecido João, do Grupamento de Operações Aéreas do Corpo de Bombeiros, é responsável pela manutenção das aeronaves, garantindo que estejam prontas para operações. Com 20 anos de experiência, ele destaca a valor de sua função, que inclui inspeções detalhadas durante a limpeza das aeronaves. Flávio, que começou uma vez que enfermeiro, se especializou em engenharia mecânica e hoje gerencia a logística de operações aéreas, incluindo o uso do Air Tractor. Ele enfatiza que a manutenção é crucial para a segurança das missões, que envolvem combate a incêndios em diversas áreas.
No momento da entrevista, Flávio limpava, pá por pá, as pás da hélice sobre uma escada. O trabalho minucioso passa despercebido por quem não faz secção da corporação ou não entende de aviação, mas o subtenente garante: “Sem o meu trabalho, ninguém sobe o avião”. A frase se explica porque, durante a limpeza, são feitas inspeções nos freios, nas tubulações e no bordo de ataque, além da procura por avarias e da checagem de diversos outros itens.
Ele lembra o início da curso: “Há 20 anos, me mandaram para a Airbus fazer um curso de 30 dias, tudo em inglês. Pensa num suador. Voltei e me vi comprometido a fazer engenharia mecânica. A partir daí não larguei mais, tanto a manutenção das aeronaves, uma vez que o controle técnico de manutenção”, detalhou.
Hoje, além da manutenção em hangar, há toda a estrutura de deslocamento para o campo. “Nós temos um carro-oficina, portanto quando a aeroplano sai para uma operação, deslocamos também o tanque, o caminhão de combustível, a van-oficina e um veículo de salvamento. Geralmente são duas toneladas de fardo por missão, sempre buscando o ponto mais próximo ao queima”, explicou.
O subtenente detalha a logística para o uso do Air Tractor, aeroplano adquirida em 2022 com recursos do Imasul (Instituto de Meio Envolvente de Mato Grosso do Sul), que já combateu incêndios tanto no Pantanal quanto em áreas urbanas: “O indicado é que essa aeroplano faça um lançamento a cada 7 minutos. Até 12 minutos é plausível, mas a partir de 15 minutos já se torna inviável. Ela consome 300 litros por hora de combustível, e cada litro de querosene custa entre R$ 10 e R$ 11. Logo você imagina o dispêndio de operação de uma aeroplano dessas, fora a manutenção”.
A própria lavagem, segundo ele, é item de manutenção. “Não é uma vez que um carruagem. A lavagem de aeroplano é feita por um mecânico, porque durante o processo já se analisam quase todos os itens. Existem locais que não podem receber chuva, uma vez que a tomada estática e as entradas de ar. Logo, além da limpeza, fazemos inspeções em freios, tubulações e pás, que sofrem muita erosão. É nesse contato que a gente encontra avarias e já prepara o relatório de manutenção”, explica.
Enquanto mostrava os detalhes à reportagem, Flávio indicava marcas de impacto. “Olha cá, possivelmente a pá pegou uma pedra e jogou cá. Temos que reaplicar a pintura na comporta, revisar a borda de ataque, emendar pequenos danos. Tudo isso é item de manutenção”, apontou.
Com 28 anos de Corpo de Bombeiros, sendo mais de 20 dedicados à manutenção de aeronaves, ele se orgulha da trajetória. “Desde 2004 estou nessa superfície. Já vi muita coisa e cada dia é um estágio. A responsabilidade é grande, mas é isso que garante a segurança de todo mundo que voa”, resume.
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