Idoso morre após suposta omissão de socorro na Santa Casa de Campo Grande

Idoso morre após suposta omissão de socorro na Santa Casa de Campo Grande

Familiares relatam descaso no atendimento e caso é investigado pela Polícia Social

Prédio da Santa Morada, onde família procurou atendimento para idoso (Foto: Paulo Francis)

A família de Elcio Pereira, que morreu aos 67 anos na tarde de quarta-feira (17), em Campo Grande, denunciou à Polícia Social que o idoso teria deixado de receber atendimento subitâneo ao chegar à Santa Morada, depois suportar um mal súbito suspeito de infarto. O caso foi registrado uma vez que preterição de socorro qualificada.

Família acusa Santa Morada de Campo Grande de preterição de socorro depois morte de idoso. Elcio Pereira, de 67 anos, faleceu na quarta-feira (17) depois suportar um mal súbito. Familiares alegam que a atendente do hospital se recusou a prestar atendimento subitâneo, mesmo com a informação de que o paciente estava infartando. Segundo o relato, a funcionária alegou que não havia expediente devido à greve dos servidores. Depois a negativa, Elcio foi levado ao pronto-socorro, onde chegou em paragem cardiorrespiratória e não resistiu. A Santa Morada informou que irá apurar a denúncia. O Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul) negou a existência de greve médica no hospital.

Segundo relato da sobrinha da esposa da vítima, Elcio começou a passar mal por volta das 17h e foi levado pelos familiares em veículo pessoal até o hospital. A esposa dele procurou o guichê de atendimento e afirmou que o caso era urgente, informando, inclusive, que o serviço seria pessoal.

Ainda de concordância com a família, a funcionária responsável pelo setor teria se refutado a realizar o atendimento subitâneo, alegando que não havia expediente devido à greve dos servidores e teria orientado que buscassem ajuda no pronto-socorro da instituição.

“Minha tia falou que ele estava infartando e, mesmo assim, a atendente demonstrou desinteresse, sem estar atendendo outra pessoa no momento”, declarou a sobrinha à polícia.

Depois a negativa, os familiares correram até o pronto-socorro, onde Elcio chegou em paragem cardiorrespiratória. O relatório médico aponta que foram realizados procedimentos de reanimação cardiopulmonar durante 57 minutos, incluindo desfibrilações e gestão de medicamentos, mas o paciente não resistiu e teve o óbito confirmado às 18h31 pelo médico plantonista.

A família destacou ainda que Elcio já havia sofrido cinco infartos. Mesmo assim, a família reforçou que a recusa inicial no guichê pode ter sido determinante para a morte.

O caso será investigado pela Polícia Social uma vez que provável preterição de socorro.

Procurada pela reportagem, a assessoria de informação da Santa Morada informou que irá verificar a denúncia de preterição de socorro e retornará mal provável.

Paralisação – Sobre a paralisação dos profissionais, a Santa Morada informou por meio de nota, que está ocorrendo uma paralisação nos atendimentos ambulatoriais e eletivos devido aos atrasos nos pagamentos aos profissionais médicos. Segundo a instituição, as equipes desses setores estão suspendendo completamente suas atividades.

No caso de pacientes já internados ou que chegam pelo pronto-socorro, os médicos têm autorização, conforme solução do CRM (Juízo Regional de Medicina), para reduzir o efetivo, mas não interromper o atendimento. Por isso, alguns profissionais estão atuando com força de trabalho reduzida, mas sem paralisação. Já nos serviços ambulatoriais e eletivos, com exceção da neurocirurgia, praticamente todas as especialidades estão paralisadas.

Já o Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul) esclareceu que não há movimento de greve em curso na Santa Morada. A entidade confirmou, no entanto, que ajuizou ação contra o hospital para cobrar os pagamentos atrasados de médicos que atuam uma vez que pessoas jurídicas, que estariam há cinco meses sem receber.

Segundo o sindicato, apesar do demora, não houve desassistência à população e os atendimentos seguem sendo prestados normalmente.

“A diretoria da Santa Morada fere um recta indispensável, que é o de receber pelo trabalho realizado, mas os profissionais continuam atendendo. O sindicato vai recorrer a todas as instâncias para impedir que esse tipo de truculência aconteça com qualquer médico, seja pessoa física, jurídica ou celetista”, afirmou Marcelo Santana Silveira, médico galeno, nefrologista e presidente do Sinmed-MS.

O Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Dimensão de Enfermagem do Mato Grosso do Sul) afirmou à reportagem que a categoria não está em mobilização nem realiza qualquer tipo de movimento paredista.

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